Cãibra no dia da prova: Possíveis causas e como prevenir
Por muito tempo, acreditou-se que a cãibra era resultado direto da desidratação ou da falta de potássio. Embora esses fatores tenham influência, estudos mais recentes mostram que o mecanismo é bem mais complexo do que parecia. Entender o que realmente acontece no corpo pode fazer toda a diferença no seu desempenho e na sua tranquilidade no dia da prova.

Controle de Intensidade e Fadiga
A teoria mais aceita atualmente na literatura científica é a da Fadiga Neuromuscular. Simplificando: a cãibra é uma falha de comunicação entre o seu sistema nervoso e o seu músculo.
Quando você compete em uma intensidade muito maior do que a que treinou, seu músculo fadiga. Isso causa um desequilíbrio nos sinais elétricos: o sinal para relaxar o músculo diminui e o sinal para contrair aumenta descontroladamente.
Respeite o seu pacing. Começar a prova muito acima do seu limiar condicionado é um convite para a cãibra nas horas finais.
Treino de Força
Músculos fracos fadigam mais rápido. E, como vimos acima, fadiga gera cãibra. O treino de força não serve apenas para estética; ele prepara suas fibras musculares para suportarem a carga de trabalho por mais tempo sem entrar em colapso. O fortalecimento aumenta a resiliência das fibras musculares, postergando o momento em que a falha neuromuscular acontece.
Substratos Energéticos
Se o tanque esvazia, o motor falha. Durante atividades intensas, o corpo depende do glicogênio (carboidrato armazenado no músculo). Quando os estoques de glicogênio ficam criticamente baixos, a fadiga periférica se instala rapidamente. Negligenciar a ingestão de carboidratos durante a prova. Um músculo sem energia é um músculo propenso a fadigar.
Hidratação, Eletrólitos e Termorregulação
Termorregulação: Quando a temperatura corporal sobe, o sangue é desviado dos músculos para a pele para resfriar o corpo. Isso diminui a eficiência muscular.
Equilíbrio Eletrolítico: Através do suor, perdemos sódio, potássio, cálcio e magnésio. O Sódio é o principal fator aqui, pois ele é vital para a transmissão do impulso nervoso. Se você sua muito e repõe apenas água pura, você dilui o sódio no sangue (hiponatremia), o que pode facilitar as contrações involuntárias.
Genética e Tipos de Fibras
Você já notou que alguns atletas nunca têm cãibras? A genética desempenha um papel.
Tipos de Fibras: Atletas com predominância de fibras de contração rápida (Tipo II) tendem a fadigar mais rápido do que aqueles com fibras de contração lenta (Tipo I), o que pode aumentar a predisposição às cãibras em provas de longa duração (endurance).
No fim das contas, a cãibra não tem uma única causa. Ela é o resultado de um conjunto de fatores que envolve intensidade, força, energia, hidratação, temperatura e até características biológicas individuais. Encarar a cãibra como um fenômeno multifatorial é o primeiro passo para ajustar o treinamento, se preparar melhor e cruzar a linha de chegada com sucesso!


