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Janela para maratonas rápidas está fechando: aquecimento global reduz dias ideais até 2045

Um levantamento com 221 maratonas aponta que a maioria terá menos chances de clima “perfeito” nas próximas décadas — e isso muda desempenho, estratégia e segurança do corredor.

SAÚDE
Exames e segurança

 - 4 minutos de leitura

Janela para maratonas rápidas está fechando: aquecimento global reduz dias ideais até 2045
Legenda: Calor e maratona: temperaturas mais altas reduzem as chances de condições ideais e exigem ajustes de pace e hidratação.
Correr uma maratona nunca foi só sobre treino, tênis e mental. O clima sempre foi um “atleta invisível” na linha de largada — e tudo indica que ele está ficando mais determinante. Um estudo recente da Climate Central avaliou 221 maratonas ao redor do mundo e concluiu que, mantendo o cenário atual de aquecimento, a chance de condições “ideais” para desempenho tende a cair em grande parte das provas até 2045. 

O dado que mais chama atenção é direto: 86% das maratonas analisadas devem ter menor probabilidade de clima ideal nas próximas décadas, incluindo as sete Abbott World Marathon Majors (Boston, Londres, Berlim, Chicago, Nova York, Tóquio e Sydney). 

O que é “clima ideal” para correr uma maratona?
Existe um “ponto doce” de temperatura em que o corpo humano tende a performar melhor em esforços longos. O relatório destaca que, de forma geral, homens de elite costumam render melhor em temperaturas mais frias (por volta de 4°C) e mulheres de elite em temperaturas um pouco mais altas (por volta de 10°C) — e, à medida que a temperatura se afasta do ideal, a performance tende a cair e o risco de abandono aumenta.

Na prática, isso significa que pequenos aumentos de temperatura média (ou maior frequência de ondas de calor) podem transformar uma prova “rápida” em uma prova de sobrevivência e gestão de risco.

Por que isso importa para quem não é elite?
Porque o impacto do calor costuma ser ainda mais crítico para o corredor amador:

  • Ritmo cai mais cedo do que o esperado (mesmo com treino adequado).
  • A desidratação chega antes, principalmente em provas com sol e pouca sombra.
  • O risco de cãibras, mal-estar e hipertermia aumenta.
  • A taxa de abandono tende a subir, especialmente em estreantes.

Além disso, o calor muda a estratégia do evento: logística de hidratação, pontos de apoio, protocolos médicos e até o horário de largada.

Quais provas sofrem mais?
Segundo a cobertura do tema, Tóquio aparece como um caso emblemático: mesmo sendo uma prova tradicionalmente “boa de tempo”, é apontada como uma das que podem registrar grande queda na chance de condições ideais até 2045. 

A mensagem aqui não é “não vai dar para correr maratona”. É que o padrão de clima está mudando e as provas precisarão se adaptar (e os corredores também).

O que muda para o corredor: 6 ajustes práticos
Se você corre 10K, meia ou maratona, estes pontos viram diferencial:

1) Planeje o pace com margem térmica
Em dia quente, o “pace de planilha” pode ser agressivo demais. A referência deve ser esforço percebido e frequência cardíaca, não apenas relógio.

2) Hidratação vira estratégia, não detalhe
Em provas quentes, beber “quando der sede” costuma ser tarde. Tenha plano: goles regulares + eletrólitos se sua prova costuma durar mais.

3) Aclimatação ao calor (quando possível)
Treinos em horários mais quentes, progressivos e controlados, podem ajudar. Não é sofrimento: é adaptação gradual.

4) Pré-resfriamento simples
Gelo na nuca, esponja molhada, boné leve, e hidratação fria antes da largada podem fazer diferença.

5) Sono e carboidrato contam ainda mais
Em calor, a quebra chega mais cedo quando o corpo já está “no limite”. Chegue descansado e abastecido.

6) Sinais de alerta não são “fraqueza”
Tontura, calafrios em dia quente, confusão, náusea forte: isso é alerta fisiológico, não falta de raça. Diminua, procure apoio médico.

E o que muda para organizadores (e por que isso é oportunidade)

Com clima mais instável, provas que se anteciparem tendem a se destacar:

  • mais hidratação e melhor distribuição de pontos;
  • largadas mais cedo;
  • comunicação de risco térmico na semana da prova;
  • plano médico reforçado;
  • sombra/estrutura em chegada e pontos críticos.

Esse tipo de cuidado não só reduz incidentes, como aumenta reputação e retenção de público.

Conclusão

A “janela” de maratonas rápidas não desaparece, mas fica mais estreita. Para o corredor, o recado é: trate o calor como variável de performance e segurança. Para o calendário e o portal, isso abre uma linha editorial excelente: clima da prova, estratégia de pace, hidratação e prevenção.

Fonte / referências: Climate Central (relatório e análise “Running Out of Cool Days”, 28/10/2025) e cobertura jornalística (Reuters/ABC News, 27–28/10/2025).
Fonte: Climate Central e Reuters/ABC News

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