Ao continuar navegando, você concorda com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade.
Aceitar e continuar
translate
Português
English
Español
search
Fechar
 

Como analisar no Strava o prescrito x realizado da planilha: método prático para treinadores

Transforme dados do Strava em decisão de treino: compare ritmo, duração, zonas e consistência com o que foi prescrito e descubra rapidamente se o atleta está evoluindo, compensando ou acumulando fadiga.

TECNOLOGIA
Sistemas de Análise

 - 4 minutos de leitura

Como analisar no Strava o prescrito x realizado da planilha: método prático para treinadores
Legenda: Prescrito x realizado: quando você compara planilha e Strava do jeito certo, a evolução fica óbvia — e o ajuste da semana seguinte também.
Se você é treinador (ou acompanha seus próprios treinos), o erro mais comum ao olhar o Strava é focar só no pace médio e no “parabéns”. Para evoluir, você precisa responder duas perguntas objetivas:

  • O atleta executou o treino como foi prescrito?
  • O corpo respondeu como esperado (carga adequada) ou houve sinais de fadiga/compensação?

Abaixo vai um método simples, repetível, que funciona para qualquer tipo de treino.

1) Padronize o que é “prescrito”

Antes de comparar, o treino precisa ter 4 itens claros:
  • Estrutura: aquecimento + bloco principal + desaquecimento
  • Intensidade-alvo: pace/FC/zona/RPE
  • Volume: tempo ou distância total (e por bloco)
  • Recuperações: tempo parado/trote + objetivo (recuperar “quase total” ou parcial)

Sem isso, “prescrito x realizado” vira achismo.

2) Compare sempre por camadas (não pule etapas)
Use esta ordem:

Camada A — Conclusão e fidelidade do treino

  • Fez o treino completo?
  • Fez os blocos na ordem correta?
  • Pulou aquecimento/desaquecimento?

Regra prática: se faltou aquecimento, o treino “real” foi mais pesado do que parece.

Camada B — Execução do bloco principal (onde o treino acontece)
Aqui você olha o que decide adaptação:

Para intervalados/tiros:
  • Splits (cada repetição): consistência e queda de ritmo
  • Pace nas repetições vs alvo
  • Recuperação: trote/parado e quanto o pace “volta”

Sinais bons:
  • reps estáveis (variação pequena)
  • última repetição não “explode”
  • recuperação melhora ao longo das semanas

Sinais de alerta:
  • começa forte e desaba cedo
  • variação grande entre reps
  • precisa aumentar recuperação para “sobreviver”

Para tempo run / ritmo contínuo:
  • pace estável (sem “serrote”)
  • deriva cardíaca (se você usa FC): FC sobe demais mantendo pace igual
  • sensação (RPE): deveria ser “sustentável” e virou “sofrido”

Camada C — Intensidade real (zonas)

Aqui a análise fica objetiva:
  • Tempo em zona-alvo (por exemplo Z3/Z4)
  • Quanto tempo o atleta “escapou” para zona acima (treino ficou mais duro)
  • Quanto tempo ficou abaixo (treino ficou fácil demais)

Regra prática para treinador:
Se o treino foi prescrito “controlado” e o atleta passou tempo demais acima da zona, ele está transformando treino em prova, o que cobra juros no longão e na semana seguinte.

Camada D — Contexto (o que o Strava não resolve sozinho)
Pergunte (ou registre no sistema) 3 coisas após o treino:

  • RPE (1–10)
  • Sono/estresse (ok / médio / ruim)
  • Dor/incômodo (sim/não + onde)
Isso é o que explica “por que hoje saiu ruim”.

3) Use um score simples para “prescrito x realizado”
Para acelerar sua rotina, use um score de 0 a 3 por treino:

  • 3 = Excelente: executou como prescrito + controle + bom retorno
  • 2 = OK: executou, mas com pequenos desvios (ritmo/zonas)
  • 1 = Ruim: virou outro treino (intensidade errada/recuperação errada)
  • 0 = Não executado/abandonado

Em uma semana, você não precisa de 15 gráficos: você precisa saber se o atleta acumulou muitos “1” (fadiga/erro de execução) ou muitos “0” (baixa aderência).

4) Padrões que mostram evolução (mesmo sem “bater PB”)

Você consegue ver melhora no Strava quando:

  • Menor variação entre reps no intervalado
  • Mesmo pace com menor FC (ou menor RPE) em contínuos
  • Menos deriva cardíaca em tempo runs/longos moderados
  • Recuperação mais rápida (retoma pace/FC mais cedo)

Esses sinais são ouro para ajustar a planilha com confiança.

5) Erros clássicos que você identifica na comparação
  • Atleta faz o aquecimento rápido demais → cansa antes do bloco principal
  • Recuperação curta demais → transforma intervalo em “morte” e detona técnica
  • Treino fácil vira moderado (porque “se sentiu bem”) → acumula fadiga escondida
  • Longão vira prova → semana seguinte degringola (principalmente tiros)

6) Como transformar a análise em ajuste de planilha (sem complicar)
Se o treino saiu mais forte do que prescrito:
  • reduza 10–20% do volume do próximo treino de qualidade ou
  • mantenha volume e baixe intensidade (zona/pace)

Se o treino saiu mais fraco (mas com RPE alto):
  • trate como fadiga (não como “preguiça”)
  • ajuste sono/recuperação + simplifique a semana

Se saiu mais fraco com RPE baixo:
  • pode ser falta de estímulo (ou erro de zona/pace)
  • reavalie zonas e terreno (subida/vento/calor distorce)

Leia mais sobre